Foto da minha sala, com a minha vista privilegiada...Ontem, quando cheguei em casa do trabalho, comecei guardar a pequena compra feita no mercado e, instintivamente, liguei a televisão. Pela milésima vez – mas isso nem é tão tuim assim – a Warner reprisava episódio de Friends. E era justamente o último.
Parei para assistir. Já estava no fim e justamente a hora que decidi prestar atenção mesmo, foi quando a cena mostrava os amigos no apartamento de Mônica, vazio, comentando que todos haviam morado ali e o quanto foram felizes. Os cinco deixam suas chaves sobre um móvel. Mônica se emociona e diz que ela não imaginava o quanto aquilo seria difícil. Em seguida, eles saem do apartamento e a porta se fecha.
Isso me fez lembrar de algo que vivi e que ainda não assimilei por completo. Sempre quis sair de São Paulo, ter uma vida mais tranqüila, respirar ar puro. Quando eu e marido decidimos nos mudar para a praia (Caraguatatuba) a alegria invadiu meu coração e curtimos cada momento desta etapa. A pequena reforma na casa nova – aliás, isto ainda rende um outro post, quem sabe em seguida a este... –, os preparativos para a mudança, as burocracias. Até que chegou o grande dia.
O marido já estava na nova cidade há uma semana, porque foi preciso acelerar os pedreiros. E eu fiquei em Sampa, encarregada da mudança. A empresa que contratamos levou dois dias para encaixotar tudo. E meus pais estiveram ao meu lado o tempo todo.
Quando tudo estava encaixotado e guardado no caminhão, era hora de entregar as chaves. Pedi um segundo para minha mãe, para ficar sozinha e me despedir daquele espaço que não era meu, mas que eu amava imensamente e em que comecei de fato minha vida adulta. Assim como a personagem do seriado, eu nunca imaginei que seria tão difícil.
Chorei feito criança. E me perguntava se esta era a decisão correta. Ali ficamos por dois anos e meio. Iniciamos nossa vida a dois. Vivemos intensamente nosso espaço. E eu era extremamente feliz naquele lugar. Por mais que eu estivesse indo morar num lugar que também amo, fechar aquelas portas foi absurdamente difícil. Sinto saudade até hoje.
Será que isto é apego? Quando penso em ganhar na mega sena, as duas primeiras coisas que me vêem à cabeça para fazer com o dinheiro são: comprar aquele meu antigo apê (para eu me hospedar quando for a São Paulo) e comprar um terreno aqui onde moro, para poder ter espaço para plantar tudo o que mais gosto. Simples, não?
E você, tem saudade apertada de onde?